quinta-feira, 30 de setembro de 2010

valle de colchagua


Colchagua goza de um clima mediterrâneo, onde as quatro estações são bem definidas. A influência marítima e os efeitos da cordilheira dos Andes, criar as condições ideais, especialmente nos meses de verão, onde a oscilação da temperatura varia até 22 ° C. Isso permite que as uvas amadurecem lentamente, com um longo período vegetativo. Os vinhos têm uma cor profunda e uma estrutura de taninos suaves, com sabores de frutas maduras e equilíbrio ácido bom.

No coração de Colchagua, no município de Peralillo, Viña Sutil tem 242 hectares, que são principalmente plantada com castas tintas, como Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Carmenere, Syrah, Malbec, Petit Verdot. Também a variedade branca, como Chardonnay, Viognier e Sauvignon Blanc.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

variando

refeição uma palavra
palavra feito refeição
combustão uma palavra
palavra feito combustão
contramão uma palavra
palavra feita contramão

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Concha y Toro


A linha Casillero Del Diablo é a mais conhecida da vinícola Concha y Toro e se tornou uma espécie de ícone de vinhos chilenos no mercado global, vendido em mais de 120 países. É também o vinho do Chile mais consumido no Brasil, de acordo com a importadora Pernod Ricard. A produção desta edição especial,Casillero Del Diablo Reserva Privada 2005, ficou em cerca de 540 mil garrafas.

Elaborado a partir de dois vinhedos distintos, o vinho é um assemblage de 65% Cabernet Sauvignon e 35% Syrah, extraídas, respectivamente, dos Vales do Maipo (localidade de Pirque) e do Rapel (localidade de Peumo).

Pirque, por sinal a terra de origem do Casillero, está posicionada a 650 metros acima do nível do mar, uma região de clima temperado e solo aluvial, pobre em nutrientes, e com baixa retenção de água, garantindo condições ótimas para o cultivo da Cabernet Sauvignon, segundo a fabricante. Já Peumo é uma região que sofre a influência do rio Cachapoal, posicionada a 200 metros acima do nível do mar, e que sofre uma brisa de final de tarde capaz de converter a região notoriamente quente para uma zona fresca. Como o solo é argiloso e os vinhedos estão posicionados em ladeiras (sem retenção de água), as condições do terroir possibilitam um excelente amadurecimento da Syrah, gerando frutos pequenos e de maior concentração.

De acordo com o enólogo Marcelo Papa, da Concha y Toro, a decisão de produzir este exemplar ocorreu em virtude de o ano de 2005 poder ser considerado “excepcional” na vitivinicultura chilena. “Foi a melhor safra em décadas”, assegura. “Isso nos permitiu produzir este vinho com excelente potencial de guarda, sem preocupação para os próximos dez anos (até 2015)”, afirmou o especialista durante a apresentação do exemplar, em evento em São Paulo, ocorrido em agosto.

O Casillero Del Diablo Reserva Privada permaneceu por 14 meses em barricas de carvalho francês, antes de ser engarrafado. Deve ser consumido a uma temperatura de 17ºC e é um excelente acompanhamento para carnes em geral.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A coleção fotográfica de Marcel Gautherot


Considerando o debate contemporâneo da antropologia sobre a fotografia, interessa
compreender a constituição de uma das mais importantes coleções fotográficas sobre o Brasil do século XX, aberta à consulta pública, a coleção do francês Marcel Gautherot (1910 -1996). São cerca de 25 mil fotogramas, adquiridos em 1999 pelo Instituto Moreira Salles e guardados
em sua reserva técnica, no Rio de Janeiro. Comenta-se no texto o trabalho do fotógrafo,
vinculado a projetos documentários de instituições como o Musée de l’Homme, em Paris, no final dos anos 1930, e no Brasil, o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a
Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, entre os anos 1940 -1960. Tais compromissos
e interesses definem eixos temáticos importantes na produção e na organização do seu acervo fotográfico pessoal. Procura-se discutir os critérios e os procedimentos técnicos que
adota para a realização e a classificação de suas imagens, precisando séries, narrativas
visuais sobre a diversidade cultural brasileira. Com a aquisição do seu acervo pelo IMS,
ganha mais relevo, enquanto coleção institucional, sua qualidade estética. Redefinem-se
modos de preservação e conservação, reprodução e circulação dessas fotografias.
PALAVRAS-CHAVE: Fotografia etnográfica. Coleção fotográfica. Patrimônio cultural. Marcel
Gautherot. Brasil.

Os homens de máscaras


Os homens de máscaras, chocalhos e também vestidos com roupas esfarrapadas, invadem as ruas do município e brincam.

Trata-se de uma mistura do sagrado e do profano.A Associação Cultural dos Caretas de Jardim é uma das entidades que tem lutado pelo fortalecimento da festa. Até cursos para confecção de máscaras são oferecidos pela associação, para possibilitar maior participação dos brincantes, que podem ser figuras engraçadas, folclóricas, que dão um colorido especial às ruas, com máscaras criativas.

Segundo Luiz Lemos, as manifestações folclóricas na cidade necessitam de um trabalho mais amplo de divulgação, diante da sua importância e das tradições. A festa, de acordo com ele, vem sobrevivendo, mesmo com as ameaças da modernidade. São rapazes, homens de mais idade — todos no intuito de festejar o momento, que antes tinha outro sentido. A festa era da colheita e o espantalho mais tarde acabou sendo substituído por Judas Iscariotes. As manifestações foram iniciadas na zona rural e hoje toma as ruas da cidade de Jardim.

Para Luiz Lemos, a festa em Jardim representa atualmente uma singularidade cultural. “A golpe de muito sacrifício, ainda vem sendo conservada no calendário cultural do nosso Estado”,

Os primeiros registros históricos da brincadeira em Jardim são do fim do século XIX. Os agricultores se reuniam e confeccionavam uma espécie de espantalho, a quem chamavam de “Pai Véi” ou “Vosso Pai” e, mascarados, com chocalhos e chicotes, percorriam vários sítios em busca de donativos para o Sítio do “Pai Véi”, onde faziam uma grande festa e malhavam o espantalho. A festa se urbanizou e passou a utilizar o personagem bíblico.

A Festa dos Caretas se tornou um evento tradicional e ocorre durante toda a Semana Santa. Como antigamente, se caracteriza por mostrar personagens mascarados, vestidos de forma diferente, com chocalhos na cintura e animando a cidade. O maior destaque é a figura do Judas, que hoje é confeccionado pelo escultor e artista plástico Luiz Lemos.
http://picasaweb.google.com.br/encontrolusofonomascara

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Willemara Barros no CT dança III

Ricardo Guilherme "Ramadança"


A palavra Ramadança é um neologismo criado pelo autor para inter-relacionar os termosramadã (período sagrado dos muçulmanos) e dança. O texto traça a genealogia dos líderes muçulmanos e cristãos, ao mesmo tempo em que, em tom de prece, faz exortações sobre a guerra e a paz. A personagem em cena é uma Rainha do Maracatu que se apresenta como uma espécie de Medéia africana, mãe primordial detentora do poder de vida e morte em relação aos seus filhos.


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Guaramiranga em chamas


Não, não. Não há queimadas devastando a serra. Mas há, sim, fogo de densas proporções aquecendo Guaramiranga. Um fogo de outra ordem, das paixões fora da ordem, pois começou ontem o Festival Nordestino de Teatro que até 11 de setembro vai mais uma vez acender a fogueira sagrada e profana que, desde 1993, propaga luz e calor na cidade do frio.
Esperemos, portanto, que o incêndio se alastre e os incendiários impeçam os bombeiros de debelar com seus extintores a flama das transgressões já que os atores são, via de regra, os desregrados homens-bomba, as insubmissas e quase suicidas tochas humanas que se reinventam e se aventuram até mesmo no que desconhecem e naquilo cujas diretrizes apenas vislumbram. Afinal, ao contrário do que afirma o senso comum, o teatro não está em crise; o teatro é em crise.
Nós, os do palco, somos alquimistas em processo alquímico sobre nós mesmos, encarnando a alquimia de exercitar no próprio corpo a alteridade. Em quaisquer personagens, vivemos o dilema de um Hamlet singular que entre ser e não ser decide ser e ao mesmo tempo não ser, por sermos protótipo e duplo, criador e criatura, lagarta e borboleta, a ambivalência e a metamorfose da crisálida.
Aos atores, no entanto, não basta apenas representar papéis emprestando a eles bocas e palavras no desenrolar das histórias, pois não somente na ficção, mas também na concretude do real faz-se necessário construir a História. Que o Festival Nordestino de Teatro seja, então, uma oficina de ideias a incendiar as cabeças e a arder no coração daqueles que se iluminam como personas e se inflamam como pessoas mobilizadas para propor e fomentar mais e mais políticas públicas que rompam convenções e conveniências do status quo. Afinal, sem revoluções não há revoluções e todos os gritos ficam parados no ar quando o teatro não tem voz ativa para ir contra a corrente da roda-viva de círculos viciosos e circuitos viciados.
Por sua militância, a classe teatral já vem comprovando que não fura os próprios olhos feito Édipo nem fica em vão esperando Godot. No passado, resistiu aos desmandos e aos descasos, rebelou-se contra o neocoronelismo cultural que à la Bernarda Alba resguardava seus afilhados e fechava as portas da casa como se o Estado fosse propriedade do governo. Burocratas de plantão monopolizavam recursos para as programações geradas e geridas segundo interesses partidários ou vontades de ocasião. Usando e abusando de um poder circunstancial pareciam confundir a instauração de um novo Estado com a restauração do Estado Novo. Era o getulismo redivivo sob o disfarce de um neoliberalismo que se anunciava como detentor de modernidade administrativa.
Atualmente, ante a realidade dos editais públicos, novas dinâmicas democráticas de relação devem ser discutidas no sentido de aprimorar o debate sobre a expansão dos mecanismos fomentadores da produção artística cearense e a premência de ainda mais consistentes e sistemáticos investimentos. Se na atual gestão da Cultura já superamos a instrumental, a crítica e, por vezes, oportunista lógica que confundia o interesse do público com o interesse público, consideremos agora temas como o fomento a processos de interlocução, intercâmbios de pesquisa, parcerias intergrupais, partilha e multiplicação de saberes.
Sendo o teatro uma arte que depende de sua imediata inserção social, estejamos atentos para estreitar nossas sintonias com as comunidades em que atuamos levando em conta a dualidade do artista que é não apenas um agente cultural, mas também e simultaneamente um crítico dos agentes culturais.

É com ideais inflamáveis assim que em Guaramiranga a Fênix do teatro renasce das cinzas para continuar incendiando corações e mentes.

Ricardo Guilherme -Escritor e teatrólogo
guilherme@uol.com.br

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Máscaras Brasileiras

maracatu cearense pelo mestre Oswald Barroso

UM CORTEJO DE DEUSES NEGROS

Toda algazarra cessa. Nas calçadas que margeiam a rua, o público faz silêncio. Bêbados, papangus, travestis, crianças impertinentes, apitos, confetes, cloretis e serpentinas, tudo cala. Mal se distingue de longe o baque retumbante e grave do zabumba, cada coração passa a bater com ele (mesmo que seja de medo, como o dos meninos). Depois, o grito breve e metálico do triângulo corta a gravidade do ar, como a pedir socorro. Respiração suspensa. Aponta o baliza, no início do quarteirão, com seu turbante, rosto pintado de azeviche, calções e mangas fofas, traje de cetim nas cores do seu maracatu. Logo o nome se anuncia por exclamações: É o Estrela Brilhante, o Ás de Ouro, o Leão Coroado, o Ás de Espada, o Ás (e depois Rei) de Paus, o Rancho de Iracema, o Vozes d’África, o Nação Baobá, o Rancho Alegre, o Nação Uirapuru, o Rei de Espada, o Nação Africana! Passa, o baliza, feito um batedor, um saltimbanco, um capoeira, um passista de frevo, um acrobata ou malabarista de circo, ele faz suas evoluções, gira a baliza (um bastão enfeitado que traz nas mãos), exibindo toda a sua maestria, enquanto abre e anuncia o espetáculo.

Este começa solene, com dois sentinelas negros guardando uma porta imaginária, um portão que com eles caminha. Trazem cada um uma lanterna acesa, dourada com o interior vermelho, sobre a ponta de um mastro, como as lanternas da procissão do Senhor Morto. Avançam com a lentidão dos rituais sacros, lembrando solenidades marciais, talvez o certejo fúnebre de um rei guerreiro de Moçambique. Com sua luz, abrem caminho para o estandarte luxuoso e pesado, com o nome do maracatu e seu símbolo em alto relevo, uma estrela espelhada, um leão dourado, ou um naipe do baralho.

O primeiro cordão é o dos caboclos, guerreiros com cocares de penas, arco e flecha, marcando o ritmo do batuque, que de tão longe quase é adivinhado. Curvados como um escritor sobre sua escrivaninha, rabiscam o desenho trôpego de seus passos, com muito cuidado sobre o calçamento. Rostos terríveis. Dão três, quatro passos e retém a marcha, ao baque do zabumba, como a espreitar o inimigo. Gustavo Barroso diz que eles imitam o caminhar “retrógrado e balanceado dos crustáceos”, do siri, do aratu ou do caranguejo guaiamum. Já outros falam que cambaleiam embriagados pelo aroma da jurema.

Nas baianas, o mesmo passo lembra a cadência do caminhar das negras escravas, vendedoras de frutas, vergadas sob o peso de seus balaios, ou das filhas de santo fazendo mesuras para saudar suas mães. Giram como sois, com suas saias rodadas, enfeitadas de rendas e babados, dando boas vindas às suas divindades. Com este mesmo ar divino, já desfilavam nas procissões de Corpus Christi, da Bahia colonial, por sugestão dos jesuítas e com permissão da igreja católica. Depois foram para as escolas de samba, mas vieram dos afoxés e dos maracatus. De suas bocas, escuta-se fluir o canto roufenho e encatarroado das loas e toadas do maracatu, pontos de macumba, palavras ininteligíveis em línguas africanas, pedaços de frases em português, vozes que parecem vir de bem além de suas gargantas, das almas dos negros velhos, quem sabe.

Depois das baianas vem o balaieiro carregando sobre a cabeça um grande cesto com toda a abundância de suprimentos, com toda a fartura do mundo. Quando mais cheio o balaio e mais naturais as frutas que carrega, mais mérito tem o balaieiro, se a graça e a leveza de seu bailado não se altera.

Pode aparecer também a feiticeira, com um dos braços dobrados para trás, corpo encurvado e cachimbo na boca. É a preta velha, que muitas vezes aparece ao lado do preto velho, como nos cortejos das mais antigas cortes africanas que chegaram no Brasil.

Ao seu lado, vem a calunga, uma boneca pretinha, vestida como uma baiana do maracatu, o mesmo traje do brincante que a conduz. Muitos são os estudos sobre sua origem e as interpretações sobre seu significado, mas entre todas as possibilidades, é bonito imaginá-la como a representação do mar, de la mer, o mar feminino dos franceses, o grande mar atlântico que separa e liga os negros de e à sua mãe, à mama África, como canta Chico César.

Agora já se divisa nitidamente o som de cada instrumento da percussão. Além do zabumba (o coração da mãe África que bate), e do triângulo (seu grito de dor), a caixa surda (os passos atordoados dos filhos), o gonguê e o ganzá (seu fino molejo, sua sensualidade contida). O som parece emergir das entranhas da terra, hipnótico e embriagador, fazendo o chão estremecer. E nada mais existe ali, senão aquele cortejo majestoso que vem do começo do mundo, de além oceano, de terras do rio Zaire, de Cabinda, de Benguela, de Angola, do glorioso império do Congo, atravessando os labirintos do tempo, a peste, a guerra e a escravidão, incólume e intocável, feito um desfile de semi-deuses, que avançasse, superior e bamboleante, sobre as ondas de um mar de águas graves e profundas.

Acompanhada por pajens e açafalas, aproxima-se a corte africana, com seus leques emplumados, braços estendidos, sorriso eterno na boca, como se dissesse: - Venha a mim o universo com todas as suas maravilhas! Nobreza não de mando ou opressão, corte de divindades, de gente que anda deslisando sobre a superfície e mal toca o chão, para quem tudo é graça, gentileza, gestos mágicos e muito delicados. Evém lá Príncipe Sueno, sonho ou sereno, filho do imperador do Congo, Henrique Cariongo, que deu combate aos infiéis, junto com os portugueses. Com ele, vêm as princesas, que cada vez aparecem em maior número, fazendo salamaleques e mesuras ao povo, como a dizer: salve verdadeiro soberano, senhor do nosso brinquedo.

Mas, como o guarda-sol rodopiante que a proteje, como os grandes abanos que a saúdam, todo este cortejo só existe para emoldurar a glória e a majestade da rainha, para celebrar sua solene passagem. O rei é apenas um parceiro, um coadjuvante. A rainha é a estrela brilhante, a leoa dourada. Talvez seja a negra Ana de Souza ou Ginga Nbândi, sábia ialorixá inimiga do colonizador branco, soberana de Angola, Dongo, Matamba e Luanda. Talvez seja a própria mãe África, a mãe Terra, a mãe de todos os homens e de todas as mulheres, o princípio feminino de Deus, gerador do universo. Entre tantas belezas, brilhos, sedas e pedrarias, entre tanta pompa e opulência, ela é como um cisne entre patos, um pavão (a rainha do maracatu é o pavão misterioso da canção do Ednardo) entre galinhas de angola. Nada brilha mais que os dentes claros, que o branco dos olhos, ou que o falso negrume da tez, no seu rosto pintado de tisna e vaselina. Nada é tão solene quanto sua lentidão de deusa, sua cadência elegante, seus braços abertos e receptivos, seu porte altaneiro. Nela, tudo é maravilha e encantamento. Talvez, seu sorriso seja o útero da terra, a Pasárgada, o céu dos orixás, o ninho do grande reencontro, para onde caminham os maracatus. (Jornal O Povo, 01/03/1998)

ct dança ceará III