quinta-feira, 13 de outubro de 2022

Abismo

 
















O Abismo e seus intervalos, a incerteza viva: 

Agora não se ouvia nada. Só o silêncio. Só o abismo daquele silêncio. 

Nos intervalos do tempo dentro de cada um, sombra e luz bordado a jenipapo, um bode berra dentro de mim, rosto se multiplica pendurado na tela escura, um bendito, zoom ladainha, incelença na estrada. O cordão arrebenta incerteza. Olhar reflete o espanto da imagem no concreto. Terra protegida, seres demarcados, inscrita na matéria. 

Fundamentalmente, é uma investigação sobre arquivo. Mas, para que apontam? o ar está cheio de poeira. O chão está coberto de incontáveis folhas imaculadas em que pisam silhuetas assustadas, brancas como fantasmas. Não está claro o que está acontecendo; as pessoas fogem de uma nuvem de silêncio. 


Tudo o que resta é uma incrível pilha de restos incompreensíveis e vagamente patéticos: O verdadeiro presente das coisas, da matéria, está agora exposto ali, estendido no chão: uma mistura de pedaços de passados desconexos, lançados simultaneamente neste agora congelado em pedra. Nos resta juntar as sombras dos seres e expormos na galeria do futuro. 

O mundo perpetuamente novo, que levou a decretar o fim definitivo da história, não passa de silêncios e sombras. Manchas onde as equipes de intervenção já estão ocupadas limpando tudo, para fechar essa lacuna inconcebível na tela da realidade o mais rápido possível. Nunca encontraremos os milhares de mortos cujos corpos esmagados e queimados foram reduzidos a uma mistura de




restos de carne e trapos manchados, inextricavelmente misturados com os restos de concreto e sucata onde nenhum anjo ousa olhar. 

Esta pesquisa está sendo desenvolvida na residência Acho imagens, ateliê Casa Campinas e na pós graduação no programa de antropologia da UFRN. As imagens e referências de trabalho e metodologia são fruto de um desejo de trabalhar nessa interdisciplinaridade que o artista pesquisador passa a habitar os arquivos e as memórias. Obras em Tecido 2,00 x 1,20; 2,00x1,40 

Referências: 

BERGSON, Henri. Matéria e Memoria: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1999. (Original publicado em 1939). 

BELTING, Hans. “Por uma antropologia da imagem”. Concinnitas. Ano 6, volume 1, Número 8, julho, 2005. 

BRUNO, Fabiana | Potencialidades da experimentação com as grafias no fazer antropológico: imagens, palavras e montagens | TESSITURAS V7 N2 JUL-DEZ 2019 | Pelotas | RS 

ECKERT, Cornelia e ROCHA, Ana Luiza C. Etnografia da duração: antropologia das memórias coletivas em coleções etnográficas – Porto Alegre: Marcavisual, 2013. 

Didi-HUBERMAN, Georges. Quando as imagens tomam posição. O Olho da História I. 1a edição. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018. 

___________________. Remontagens do Tempo Sofrido. O Olho da História II 1a edição. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2018. 

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GOMES, Alexandre Oliveira. Museus indígenas, mobilizações étnicas e cosmopolíticas da memória: um estudo antropológico - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2019. 

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INGOLD, Tim. Being Alive: Essays on Movement, Knowledge and Description. Londres: Routledge, 2011. 

MERLEAU-PONTY, Maurice. O corpo. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1994. 

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PINHEIRO, Joceny de Deus. Arte de contar, exercício de rememorar: as narrativas dos índios Pitaguary. Dissertação de Mestrado. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará. 2002 

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WAGNER, Roy. A invenção da Cultura, São Paulo: Ubu, 2015


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Pitaguary

Rara paixão pelo que fazemos quando movido pela vontade de estar junto promove novos encontros pelo simples fato de querer olhar o outro no olho e ver seu corpo se mover sentindo seu calor revelando suas faces e facetas. Em busca da luz me conecto a espíritos e sinto o cheiro da natureza amanhecendo com os pássaros e anoitecendo com o fogo com a dança que ele abençoa me deixo encantar com esses improváveis e tão acertados momentos reservados pelo coração musculo símbolo e signo eu me pergunto como seria o coração de uma arvore? Teria uma cor vermelha também seria grande? Que equivalência teria ? Em que proporção levaríamos em conta se alguém houvesse o inventado e nos proposto essa metáfora. Acho que o coração das arvores, plantas, legumes e verduras e da cor da luz que eu procuro quando acordo mas pensando melhor tem duvidado muito da luz esses dias encontrado nos sons imagens de um mundo ainda difícil de ser traduzido em palavras e cores portanto o coração desses seres deve ter um som que ainda esta por vir que tenhamos que afinar nossos ouvidos para escutar a batida dos seus corações e como seres compreender que eles também precisam ser respeitado escutados ha seres que vem fazendo isso a mais tempo humanos não sei se especiais  mas entregam seu pensamento no dia que nasce na noite que cai a estes sons os indígenas que se movem na batida do vento sentindo o cheiro do mato acalentando suas dores e duvidas em volta do fogo. Com eles aprendi a sentir  e desejar essa nova era alimentado um sonho de um coração sem cor e sem formato ardente como brasa e frio como a madrugada.